sábado, 16 de janeiro de 2010

Quando a chuva cai...




Quando a chuva cai,
Cada gota soa para mim como nota musical,
Que sopra o vento e dissipa todo o mal,
Atordoa,
Não perdoa,
A volta de obsoletos sentimentos,
Me remete ás lágrimas dos tristes mementos...

Quando a chuva cai,
É feito,
É marco histórico,
É tesouro,
Quase oiro,
Poiso junto á janela,
Para esperar a volta dela,
A chuva...

A chuva molha o parreiral e a videira,
Molha também a uva derradeira,
E se for vez primeira,
Que a contempla com ares de melancolia,
Saiba que ela é bem mais que muita água fria...

Chuva é expressão,
É choro,pranto do céu,
É o desabamento de fel,
É a liquidez das estrelas,
É a dor do mundo,
Desaguando n'um segundo...

A chuva na janela,
Tão bela,
A chuva no chão,
Oh!Quanto dói o coração,
Nada mais,
A chuva e seus ais...

Quando molha a lente do óculo,
Quando molha o chapéu,
É benção do céu...
Rega a chuva,
A flor,
O botão,
Faz a simples notinha virar coro e fabordão,
E me desculpem o bordão,
A chuva lava a alma e o coração....

Lá onde o vento faz morada,
A chuva é sua eterna enamorada,
E em uma estranha combinação,
Os dois entram rasteiros e com ação,
Pela bucólica moldura de minha varanda,
Anda!
Anda!
Que vem chuva chegando,
Que vem a tormenta na vida entrando...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Inexpugnável...

Conheci fera,
Bela era,
Inexpugnável,
Porém muito amável,
E também afável...

Rajada,
Doirada,
A cor que fosse,
Em seu âmago ela tinha um quê doce,
Mas era invencível,
Imbatível,
Não era derrotável,
Tinha força de vencer,
Mas na hora de morrer,
In extremis,
Afasta!
Que criatura nefasta...

É criatura nefelibata,
Está no ceu com de anjo bata e harpa,
Mas também mefistofélica,
Arre!
Pode ser também bicho medrançoso,
Como também olhar esperançoso...

Maviosamente,
Mente,
Ou também pode lho dizer a verdade,
Isenta de asnidade...

Ao que me refiro,
Ora essa!
Refiro-me á um bicho complicado á beça,
O ser humano em geral,
Nada de excepcional...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um mundo onírico & diferente





Com um pouco de comicidade,
Vou aqui descrever ilusória cidade,
Um mundo,
Que se pode criar em um só segundo...

Nele tem muitas coisas bonitas com esplendor,
Não existe a temível dor,
Lá o amor é representado em forma de flor,
Todas as cores tem sua cor,
Cortando um rio de brilho e confiança a cidade,
Torna criança qualquer pessoa de qualquer idade...

Todos os sonhos tem a sua devida importância,
Lá pode se ver ainda que ao longe,
A da felicidade estância,
O céu não tem limite,
A arte é tudo,
E não tem quem não a imite...

As estrelas foram pintadas a mão,
E a força deste mundo é o sentimento de união,
As casas todas são providas de asas,
Para voar no mundo da imaginação...

Neste mundo o sonho é a ação,
E a felicidade a realização,
Pena que só existe em nossa mente e coração...

Alma imortal -SONETO-




Minh'alma voa pelo tempo,
E é imortal,
Tanto que quando isto digo,
Causo um espanto tal...

Minh'alma assobia algumas canções cansadas,
E observa correrem as estradas paradas,
Bebe da água mais transparente,
É livre de ter coração doente...

Nesta condição de imortalidade,
Com toda notoriedade,
Minh'alma silentemente fecha-se em sua mente..

Em pensamentos que voam,que vem,
Que não tem dono e não são de ninguém,
Minh'alma a qualidade de imortal tem...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cantando um enlevo...

Canto um enlevo,
Com tal alegria,
Como aqui a escrevo,
Penso...
E receosa,
Me atrevo á pintar uma rosa...

Olha!Olha o horizonte,
Que belo alvor dele desponta,
É tanta beleza que nem se dá conta...
Inda ontem cantarolava eu debaixo de uma clareira,
Hoje ''meio-amarga''canto em tom baixo frente á uma lareira,
Nela arde uma chama,
Que consome tudo o que se ama,
Os verões felizes,os dias inesquecíveis,
E lembro de dias não plausíveis...

Não é verossímel,
Nem tampouco real,
Mas o que descrevo aqui,
São coisas de um mundo anormal,
E cantar um enlevo,
Me consola,
Reanima,
E por gestos de pantomima,
Expresso minha tristeza,
Choro com pesar,
E reflito com aspereza...

Cantando um enlevo,
Uma canção,
Que é sopro de brisa,
No coração,
Canção que é desprovida,
De notas,clave e fabordão,
Mas é bem provida dos sentimentos da vida...

Meu enlevo,
Tem relevo,
Sob outras canções,
Destacando-se,
Por aliviar os corações...
E despertar as afeições...

No meio do mar,
Em pleno deserto,
Ainda se ouvirá meu enlevo,
Isto é certo!

Por fim,
Tenho que afirmar que digo sim,
Para o caminho longo e a estrada,
Que leva á tudo e leva á nada,
Cantando um enlevo,
Gritando em segredo,
E seguindo sem medo,
Com o enlevo..

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Visão Poética...




No passo da morte,
Ao passo da sorte,
Sempre terei esta visão,
Visão poética,
Que abranda e anima meu coração...

A poesia é Potestade,
Do meu reino á majestade,
Meus olhos em tudo veem poesia,
Desde o mais belo e delicado jasmim,
Cujo cheiro voa até mim,
Até a folha seca mais fria...

Até em uma tarde vazia,
Eu vejo a tal poesia,
Ela me acompanha,
E nas noites em que fuma-se o orvalho,
E nada parece fluir,
Vem a tal poesia fazer-me sorrir...

A poesia é como uma chama de vela,
Nunca se apagará,
Se formos junto dela,
Existe poesia,
Até na paisagem que ostenta uma simples janela...

Sem mais o que dizer,
Pois a poesia além de escrever e ler,
Se deve sentir,entender,envolver,
Poesia é a definição do que já muito vimos,
Ou do que nunca vamos ver..

sábado, 9 de janeiro de 2010

Telegrama da saudade

Quanto tempo já se vai,
Quanto tempo se passou,
Que a brisa daqueles velhos tempos já terminou,
Felicidade,
Outra idade,
As árvores farfalhando canções,
Gente de emoção,
Chorando aos borbotões...

Na janela,
Via brotar,
A flor mais bela,
Doirado era o sol,
E quão bonito o arrebol...
Ah!Outros ares,
Outros mares,
Liras e sonetos fugidios,
Pianos ecoando pelas salas,
O baile de máscaras,
Desfilando imponente pelas alas...

Na minha triste barquinha,
Passei a infância á adorar,
Esquálida e melancólica andorinha...
Inda lembro que a brisa foi-me tormento cruel,
No dia em que fiz mil pedidos ao céu...

Parece que o doce era mais doce,
Tudo era melhor,
Hoje tudo o que acontece,
Parece que a gente sabe de cor...

No telegrama da saudade,
Quero viver as antigas emoções,
Retornar á ouvir as obsoletas canções,
Que alegravam corações,
E como eram diferentes as multidões...

Saudade,
Solidão,
Nostalgia,
Era tudo diferente,
E não lembrava em nada,
Esta atual monotonia fria e vazia,
Ah...Nostalgia...