quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Alma imortal -SONETO-




Minh'alma voa pelo tempo,
E é imortal,
Tanto que quando isto digo,
Causo um espanto tal...

Minh'alma assobia algumas canções cansadas,
E observa correrem as estradas paradas,
Bebe da água mais transparente,
É livre de ter coração doente...

Nesta condição de imortalidade,
Com toda notoriedade,
Minh'alma silentemente fecha-se em sua mente..

Em pensamentos que voam,que vem,
Que não tem dono e não são de ninguém,
Minh'alma a qualidade de imortal tem...

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Cantando um enlevo...

Canto um enlevo,
Com tal alegria,
Como aqui a escrevo,
Penso...
E receosa,
Me atrevo á pintar uma rosa...

Olha!Olha o horizonte,
Que belo alvor dele desponta,
É tanta beleza que nem se dá conta...
Inda ontem cantarolava eu debaixo de uma clareira,
Hoje ''meio-amarga''canto em tom baixo frente á uma lareira,
Nela arde uma chama,
Que consome tudo o que se ama,
Os verões felizes,os dias inesquecíveis,
E lembro de dias não plausíveis...

Não é verossímel,
Nem tampouco real,
Mas o que descrevo aqui,
São coisas de um mundo anormal,
E cantar um enlevo,
Me consola,
Reanima,
E por gestos de pantomima,
Expresso minha tristeza,
Choro com pesar,
E reflito com aspereza...

Cantando um enlevo,
Uma canção,
Que é sopro de brisa,
No coração,
Canção que é desprovida,
De notas,clave e fabordão,
Mas é bem provida dos sentimentos da vida...

Meu enlevo,
Tem relevo,
Sob outras canções,
Destacando-se,
Por aliviar os corações...
E despertar as afeições...

No meio do mar,
Em pleno deserto,
Ainda se ouvirá meu enlevo,
Isto é certo!

Por fim,
Tenho que afirmar que digo sim,
Para o caminho longo e a estrada,
Que leva á tudo e leva á nada,
Cantando um enlevo,
Gritando em segredo,
E seguindo sem medo,
Com o enlevo..

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Visão Poética...




No passo da morte,
Ao passo da sorte,
Sempre terei esta visão,
Visão poética,
Que abranda e anima meu coração...

A poesia é Potestade,
Do meu reino á majestade,
Meus olhos em tudo veem poesia,
Desde o mais belo e delicado jasmim,
Cujo cheiro voa até mim,
Até a folha seca mais fria...

Até em uma tarde vazia,
Eu vejo a tal poesia,
Ela me acompanha,
E nas noites em que fuma-se o orvalho,
E nada parece fluir,
Vem a tal poesia fazer-me sorrir...

A poesia é como uma chama de vela,
Nunca se apagará,
Se formos junto dela,
Existe poesia,
Até na paisagem que ostenta uma simples janela...

Sem mais o que dizer,
Pois a poesia além de escrever e ler,
Se deve sentir,entender,envolver,
Poesia é a definição do que já muito vimos,
Ou do que nunca vamos ver..

sábado, 9 de janeiro de 2010

Telegrama da saudade

Quanto tempo já se vai,
Quanto tempo se passou,
Que a brisa daqueles velhos tempos já terminou,
Felicidade,
Outra idade,
As árvores farfalhando canções,
Gente de emoção,
Chorando aos borbotões...

Na janela,
Via brotar,
A flor mais bela,
Doirado era o sol,
E quão bonito o arrebol...
Ah!Outros ares,
Outros mares,
Liras e sonetos fugidios,
Pianos ecoando pelas salas,
O baile de máscaras,
Desfilando imponente pelas alas...

Na minha triste barquinha,
Passei a infância á adorar,
Esquálida e melancólica andorinha...
Inda lembro que a brisa foi-me tormento cruel,
No dia em que fiz mil pedidos ao céu...

Parece que o doce era mais doce,
Tudo era melhor,
Hoje tudo o que acontece,
Parece que a gente sabe de cor...

No telegrama da saudade,
Quero viver as antigas emoções,
Retornar á ouvir as obsoletas canções,
Que alegravam corações,
E como eram diferentes as multidões...

Saudade,
Solidão,
Nostalgia,
Era tudo diferente,
E não lembrava em nada,
Esta atual monotonia fria e vazia,
Ah...Nostalgia...

Coração de vidro...

Há muito se vem falando,
Que quem está amando,
Tem de vidro coração,
Que espatifa-se com um simples não....

Sonatas não resolvem,
As palavras não vem,
Não se sabe á quem entregar,
Um coração de ninguém...

Se colar,
Não se pode mais amar,
Pois ora essa,
Quem vai amar com um coração partido?
Certamente será ferido...

O vento movimenta o mundo,
E o coração de vidro,
Se vai em um segundo,
Mas nada se pode fazer,
O que resta é com isto aprender!

Não bate,
Não pulsa,
Somente existe,
Uma existência frágil,
E não há pessoa que não o conquiste...

No lugar de sangue,
Tem açúcar do mais refinado,
Para que sempre seja doce,
Este coração vítreo apaixonado...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Dilemas intelectualistas & etc...




Com o óculo,
Na ponta do nariz,
Lendo o mais complexo livro,
Assim o intelectual,
Julga ser feliz...

Mas da porta para fora,
Retrai-se sem demora,
Pois não tem o gosto,
De falar despreocupado,
Sem ser atormentado,
De coisas banais,
E nada mais...

Latim,esperanto,alemão,
Nada preenche o seu coração,
Chopin,Beethoven,Bach,
Ciência,livros,charutos,
Nada o faz contente,
Nesta vida de conhecimento eminente...

Pianos de cauda,
Fino trato,
Peças de ato e entreato,
Ele sente-se sozinho e abandonado no fim,
E todos digamos que sim,
Que tanto conhecimento acabou por deixá-lo atordoado...

Segredos...





Muitos deles já os conheço,
Outros ainda desconheço,
Mas segredo é uma droga que nos vicia no medo,
Medo de se abrir,
De alguém ferir,
De não mais sorrir...

Nos faz refletir...
E eu digo:
Tolice,
E pura meninice,
Sofrer sozinho,
Se enchendo de escarninho,
E não seguir o seu caminho,
Por uma cousa do passado,
Que como diz o ditado:
Esta morto e enterrado!

Eu sigo livre,
Sem medo,
Sem segredo,
Contente,
Demente,
Normal,
Desigual...

Pois minha mente clama,
Por dar um fim,
Naquilo em que nunca ninguém disse sim,
E faço assim:
Apago,
Esqueço,
Removo,
Faço pois um mundo novo,
Sem amarras,
Sem marras,
Sem culpas e nem desculpas...

Pois segredo,
É medo,
É trava,
É rancor,
É afogar o puro amor,
Segredo é dor...

Vamos pois achar um remédio,
Que seja médio,
Nem bom e nem ruim,
Para esta coisa que acaba conosco,
Eleva o desgosto,
Nos faz perder o gosto de viver,
Quem guarda segredo,
Tem sentença para morrer...